Reportagem

 / Créditos:
07/04/2010

Instituto N. S. do Teatro

Fernanda Montenegro inspira projeto social realizado na Central

No filme “Central do Brasil”, de 1998, Fernanda Montenegro vive Dora, mulher que escreve cartas para analfabetos que circulam pelo terminal ferroviário. Pelo papel, a atriz foi indicada ao Oscar de Melhor Atriz. Anos depois, um projeto social inspirado nos ensinamentos de Fernanda e instalado na mesma Central ajuda aqueles que desejam se expressar por meio das artes cênicas e não tiveram oportunidades.

Criada há sete anos por Ricardo Vissílievitch, ex-aluno da dama do teatro brasileiro, a Oficina Escola Nossa Senhora do Teatro oferecerá, apenas em 2010, cerca de 440 vagas em cursos voltados para a preparação e o desenvolvimento de atores. Dessas, aproximadamente 290 são para oficinas profissionalizantes, cujos alunos passam por uma seleção prévia. 

“Recebemos uma média de 1,5 mil candidatos a cada ano. Há jovens (a partir dos 14 anos), adultos e até pessoas da terceira idade”, conta Ricardo, lembrando que as atividades são inteiramente gratuitas.

A ideia é não apenas preparar pessoas para atuar, mas levar a elas educação através do teatro e democratizar a cultura. As oficinas também fomentam a prática da leitura dramatizada e resultam na montagem de espetáculos profissionais que enfocam a cultura brasileira. Já a localização da sede do Instituto Nossa Senhora do Teatro no terminal, ponto final de diversas linhas de trem e ônibus da cidade, facilita o acesso dos alunos, que não são obrigados a fazer diversas baldeações para frequentá-las.

O trabalho, que recebeu o Prêmio Itaú Unicef em 2009, foi iniciado depois de Ricardo ter participado de uma oficina dada por Fernanda Montenegro em São João do Meriti. Sensibilizado com a preocupação da atriz com causas sociais, ele montou o Instituto, cujo nome faz referência e reverência à mestra.